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Senhor Santo Cristo dos Milagres - uma fé secular das gentes dos Açores

Textos e Fotos de: Carlos Morgadinho
Adiaspora.com

Uma lenda muito antiga que remonta do século XVII, diz-nos que uma nau naufragou ao largo da Ilha de São Miguel e os seus destroços foram dar à costa, mais precisamente na Caloura, Água de Pau, sendo um daqueles salvados uma imagem de Cristo entalhada de madeira, "Ecce Homo". Mais tarde aquela imagem foi levada para Ponta Delgada, para evadir-se das  actividades e pilhagens dos piratas e corsários que infestavam o mar dos Açores e a costa dessas ilhas.

Depositada definitivamente no Convento de Nossa Senhora da Esperança ali vem sendo venerada pelo povo. É a imagem de Cristo de Cristo, martirizado, com uma coroa de espinhos e apenas coberto com um manto de cor púrpura, tal como apareceu na varanda do governador da Palestina, há dois mil anos, perante o povo que naquela época, e por tradição, soltava um preso a seu pedido. E o criminoso Barrabás foi quem o povo escolheu deixando Jesus para o suplício e crucificação no Calvário perante a passividade do então governador romano, Pôncio Pilatos, a autoridade máxima daquele território debaixo da administração romana.

Todos os anos, esta fé é celebrada pelo povo da Ilha de São Miguel, uma das maiores manifestações de fé naquela região dos Açores, ou aonde os naturais daquela ilha e seus descendentes  vivem na vasta diáspora seja no Brasil, na costa leste dos Estados Unidos ou no Canadá, principalmente nas províncias de Quebeque e Ontário. Pois no que toca ao Ontário muitas são as festividades em honra daquela Imagem Santa, nas cidades de Toronto, Kingston, Brampton e outras localidades de grande concentração de gente lusa principalmente de raízes açorianas.

No passado domingo dia 5 de Maio, foi o culminar das festividades em Toronto, na Igreja de Santa Maria, onde, em 1966, se iniciou, pela primeira vez, estas festas em louvor ao padroeiro da Ilha de São Miguel. São, normalmente, dois dias de festividades de cariz religioso e profano com atuação de artistas, no corrente ano com a presença da popular Michelle Madeira, mais algumas barracas do bazar, souvenirs e petiscos tudo animado por concertos (arraiais) pelas bandas filarmónicas que se iniciou no sábado e teve o seu epílogo no domingo.

A procissão, no referido domingo, com a imagem no andor, como sempre bem decorada com imensas flores, percorreu vários quarteirões nas imediações daquela igreja, a primeira da comunidade lusa nesta cidade. No dia anterior, sábado, a venerada imagem foi transferida da capela onde se encontra todo o ano, local onde os fiéis meditam e processam as suas orações, para a Igreja, donde só sairá no momento de se iniciar a procissão.

Com um dia de Sol radiante, no domingo, e de bastante calor, contou com mais de 2 mil fiéis que assistiram à missa campal e se integraram na procissão procedida pelo guião da paróquia que incorporou  cinco bandas filarmónicas, a de Lira  Nossa Senhora de Fátima (Igreja de St. Inês); Sagrado Coração de Jesus (Igreja de St. Helena); Lira Divino Espirito Santo de London; Lira Portuguesa de Brampton e do Senhor Santo Cristo (St. Maria) e várias ordens religiosas e da Irmandade daquela paróquia. Muitos foram os sacerdotes que acompanharam o andor dos quais destacamos o Arcebispo de Toronto, Thomas Christopher Collins, o pároco Fernando Couto daquela igreja e o Monsenhor Eduardo Resendes, entre muitos dos sacerdotes presentes.

Antes da imagem sair da igreja para dar inicio à procissão as bandas filarmónicas tocaram vários trechos defronte da entrada principal daquele templo. A imagem saiu para a rua pelas 15.00 horas acompanhada por grande número de fiéis  muitos rezando fervorosamente agarrados aos terços ou levando velas e círios com muitos deles descalços, quiçá pagando promessas por Graças recebidas, uma penitência bem peculiar da fé da nossa gente tal e qual como era, ou é ainda, uso fazer-se nas nossas terras.

Após a procissão foi a vez da missa campal com imensos fiéis que encheram o espaço defronte do altar improvisado que contou com uma palestra do padre orador, Fernando Teixeira, vindo expressamente da Ilha de São Miguel para participar nestas festividades. Seguiu-se a recolha da imagem, após terminado aquele ritual religioso, para a capela, tendo as cinco bandas filarmónicas presentes tocado novamente,  como adeus, algumas rapsódias perante a imagem de Cristo, uma réplica da que se encontra no convento em Ponta Delgada, ofertada pelo falecido artista da nossa comunidade, Mariano Rego, um natural de São Miguel e um piedoso devoto do padroeiro da sua ilha natal.

Embora estas festividades não tenham, nestes últimos anos, a participação do passado pois como é natural foi aqui, à volta da Igreja de Santa Maria, que os primeiros imigrantes portugueses se juntavam e confraternizavam após as missas de domingo. Entretanto a comunidade começou a crescer e a expandir-se e hoje muito da sua gente "emigrou" para outras cidades circunvizinhas, Brampton, Oakville, Hamilton, Kitchener, Mississauga, Vaughan, Pickering e outras até mais longe como Kingston, London, Leamington, Simcoe, Windsor e outras mais.

Além disso muitos milhares já se reformaram ou que não podem deslocar-se por várias razões uma delas devido ao estado de saúde ou até que, pela chamada do Criador, já nos deixaram definitivamente. Entretanto outras festividades do Senhor Santo Cristo dos Milagres tem tomado bastante vulto anualmente, com muitos milhares de fiéis presentes, como é já o da Igreja de Nossa Senhora de Fátima de Brampton, que dista uns parcos 25 kms de Toronto, local onde hoje vive uma grande comunidade de portugueses naturais, e seus descendentes, da ilha de São Miguel.

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